Carreira no Serviço Social: Qual caminho seguir?

O tema desse artigo é sobre nossas escolhas de carreira para aqueles que optaram pelo curso de Serviço Social, o Brasil é o segundo país no mundo em quantitativo de assistentes sociais, e com os estragos desse projeto político conservador em pauta, pode precisar a vir ser o primeiro muito em breve.  De qualquer forma, parabéns por ter escolhido ser assistente social, escolher defender direitos sociais em um cenário de capitalismo predatório e banalização do sujeito social, é um ato de muita coragem.

Quando estava no final da graduação tinha muitas dúvidas de como ia conseguir ser profissional, naquele momento início dos anos 2000, nosso país passava por uma recessão, eu me lembro de professores nos orientando para que prestássemos o máximo de concursos possível, o que também não era viável, pois além dos valores de inscrição, tinha o deslocamento e tudo mais.

E tinha também uma angústia de onde iria atuar, sinceramente nunca tive atração pelo campo da saúde, e me assustava a ideia de passar em um concurso e ter que atuar em uma área que eu não tinha interesse.

Mas, vamos lá, a primeira coisa que você precisa saber é com que área ou campo você se alinha melhor no Serviço Social, eu por exemplo atuo com habitação e políticas urbanas e ambientais, e é onde me sinto “em casa”.  Mas sabemos que nossa profissão tem muitos campos, além da política de Assistência Social, temos as políticas de Saúde, Educação, Habitação, Saneamento Básico, Justiça, Previdência etc. e há o terceiro setor, as consultorias, os setores de responsabilidade social e ambiental nas empresas privadas, há ainda as organizações de movimentos sociais e de defesa de direitos, e possivelmente outras possibilidades que não estou me lembrando agora.

Aparentemente o concurso público é o caminho mais viável para o Serviço Social, como a profissão está em todas as políticas públicas já citadas e em todos os níveis de governo, então boa parte do campo de trabalho se encontra no setor público,  e para além das vantagens conhecidas como a estabilidade de servidor público (ultimamente em jogo), há uma vantagem que do meu ponto de vista é a principal, que é servir a população brasileira de acordo com a legislação e com o nosso projeto ético político, sem ter medo de ser demitido, por fazer o que é correto.

Eu já atuei na política habitacional como comissionada e como concursada, as duas experiencias foram um grande aprendizado e uma oportunidade de me desenvolver profissionalmente no campo do serviço social, não fiquei porque surgiram outras oportunidades, decidi me mudar de Estado e vida seguiu.  Também atuei como consultora no governo do Estado aqui da Bahia e foi mais uma experiencia e crescimento profissional imensurável. Depois disso continuei consultora e atualmente professora na universidade e no meu próprio projeto.

Aqui já contei para vocês quatro formas de ser assistente social, contratada, concursada, consultora e empreendedora,  eu fui construindo a minha jornada sem um plano, após me formar eu só queria trabalhar, a vida me trouxe oportunidades no campo das políticas habitacionais e eu me entreguei e fui aprendendo tudo que eu podia para ser uma especialista na área. Sei que atualmente as coisas estão diferentes, você pode por exemplo, planejar sua carreira com ou sem ajuda de um mentor, usar estratégias de estudos para passar em concursos, fazer cursos específicos para lapidar suas habilidades em função do que você está buscando, e há muitas oportunidades mesmo gratuitas na internet, para que você reflita e planeje sua carreira.

Há algum tempo eu não pensava nessa coisa de carreira, talvez por ser profissional da área social, e estar em contato com tanta pobreza e vulnerabilidade, não parecia um tema prioritário, sempre tive claro que atuar em um campo com o qual me conectava, me traria experiências e maturidade para alcançar melhores resultados no trabalho e melhores remunerações. No contexto atual, em que o tempo e as necessidades para inserção profissionais são outras, sem dúvidas considero importante que você pense na sua carreira, e no que busca, porque sem satisfação nenhum profissional pode fazer um trabalho de transformação.

Então a principal dica que eu posso dar a qualquer profissional é, primeiro descubra com que campo ou campos de atuação você se alinha, depois reflita sobre os seus sonhos, seu perfil, seus talentos e habilidades,  se como eu, você gosta de mudar de cenário e viajar pelos sertões desse país, talvez a estabilidade de um concurso público em uma gestão local, seja frustrante. Para te ajudar nessa reflexão, você encontrará no final do meu E-book Serviço Social: Carreira e Atuação (gratuito), algumas questões norteadoras.

Finalizando esse texto quero reforçar que nosso desafio ético, técnico e acima de tudo político está presente em qualquer um dos campos de atuação de nossa profissão, no setor público ou privado, e cada um de nós independente de onde estejamos, podemos atuar como agentes de transformação e multiplicação social.

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