ComunicAção Social

A primeira necessidade? Comunicar-se!

Madre Teresa de Calcutá

É inimaginável pensar um mundo no qual não consigamos nos comunicar, informar, pedir, dialogar, manifestar… atualmente temos mais ferramentas de comunicação do que poderíamos sonhar 30 anos atrás, e vivemos um paradoxo da superficialidade em relação a quase tudo que nos rodeia, ao mesmo tempo em que recebemos uma overdose de comunicação por diversos canais o tempo todo.

A comunicação elege presidentes, gera o primeiro lugar em vendas do produto a ou b, promove conflitos e nos confunde a todo tempo. No que confiar quando sabemos que qualquer um com recursos financeiros pode “vender” a mensagem que quiser? Bom… nesse texto não vou mergulhar no tema das manipulações, mas indico um documentário chamado “O dilema das Redes” que explica de forma detalhada como nossas escolhas aos poucos estão deixando de existir.

Vou tentar aqui, ser uma realista esperançosa parafraseando Ariano Suassuna, e convidar vocês a refletirem sobre o nosso trabalho quanto educadores sociais, nossa responsabilidade de garantir o acesso a informações, a transparência e a democracia em todos os programas/projetos nos quais atuamos.

O preço pela ignorância e desinformação na nossa sociedade está refletido no nosso tecido social, são tantas fragmentações e rupturas (dividir para conquistar é um dos truques mais antigos e que ainda funciona) que tem momentos que parece impossível avançar. Nossa situação política, social e econômica segue despencando ladeira abaixo, e nós, reconstruindo a torre de babel, vivenciando processos nos quais ninguém se entende.

Acredito que precisamos urgentemente assumir nossos equívocos históricos, assumir que por muito tempo acreditamos em movimentos de cima para baixo, em geral de cunho centralizador, como caminho para conquistar mais espaço político e oportunamente implementar um processo educativo ampliado. Até os dias de hoje, e em espaços “progressistas” encontro profissionais com essa narrativa de que o saber técnico e a experiência se sobressaí para tomada de decisões (a partir desse olhar, a dimensão dialógica mesmo em uma equipe de trabalho é algo secundário) e quanto as populações, não há tempo para informar, formar, mobilizar a partir de mergulhos mais profundos. Com isso, as décadas foram passando, novas tecnologias trouxeram a era da manipulação, do controle, da alienação.

O cenário atual tem deixado muitos em alerta e acelerado mudanças, é preciso registrar que a cada dia surgem mais profissionais dispostos a atuar no campo da emancipação, de proporcionar o acesso a informação e dispostos a aplicar metodologias e construir as ações de forma colaborativa, mesmo com todos os desafios e entraves, aliás, esse é o nosso combustível aqui no projeto MultiplicAção Social, são por esses profissionais que seguimos firmes e fortes.

Quero lembrar que a governança, termo utilizado pelo mercado é atualmente um dos pontos chaves na atuação de empresas que já compreenderam o poder do diálogo, da comunicação, da responsabilidade social, como rentável. O caminho de impor e oprimir populações via judiciário, ou mesmo, via poder de polícia do Estado, é oneroso e ineficaz, imaginem uma grande obra pública parada por força de mobilização social aguardando solução judicial, gerando ônus milionário para uma empresa privada, por questões que poderiam ser dialogadas e terem pactos construídos por meio do trabalho social (isso foi uma realidade por décadas). 

Então a comunicação social é uma ferramenta que pode potencializar a alienação, pode ser utilizada para construção de pactos com a iniciativa privada e gestões públicas e pode mobilizar e engajar em prol de interesses coletivos, tudo depende dos objetivos para os quais está sendo aplicada.

Enfim, a comunicação é o que nos faz ser quem somos, e nos permite construir diariamente nossa Ação,  como profissionais estamos em uma longa jornada, na qual passamos por processos de abandono do tecnicismo, tradução da nossa mensagem em linguagem acessível, e mais recentemente, eu espero, que tenhamos compreendido que democracia, mais do que o direito ao voto, é o direito de acesso ao conhecimento dos projetos políticos em disputa.

Então, que cada um de nós, a partir de nossas habilidades, possamos construir uma comunicação que aproxima, que respeitem as memórias (nossas e do outro), os processos vividos, as narrativas. Uma comunicação que compartilhe conhecimento e facilite a compreensão de cenários e mobilização/engajamento de grupos, territórios e comunidades em torno do que os une para construção de uma sociedade mais justa. Que sejamos, educadores sociais incentivadores da reflexão, da escolha, da ação social consciente e multiplicadora. Viva a liberdade de expressão usada com responsabilidade!