No momento, estamos todos mobilizados buscando passar por essa crise com o menor impacto possível na vida humana. Será que daqui uns dias voltaremos a nossa vida normal preocupados com o trânsito, o preço da carne, a nota escolar dos filhos?

A manutenção da miséria, nos trouxe a esse momento no qual um quarto da população brasileira vive com menos da metade de um salário mínimo por mês, e 13,5 milhões de brasileiros estão na linha da extrema pobreza.

É sim um momento de solidariedade, de todos contribuírem da melhor forma possível, de medidas governamentais urgentes na área de saúde e social, visando diminuir o impacto do vírus nas camadas mais pobres, mas isso nem de longe vai solucionar toda essa precariedade e miséria que vem sendo construída há décadas. Volto a perguntar será que depois que esse momento passar, vamos conseguir nos unir e começar a trabalhar para erradicar a miséria e construir uma vida digna para todos?

Ou vamos voltar as nossas vidinhas repletas de pequenas disputas, de consumismos desnecessários, de atribuir ao governo a solução de todos os problemas da nação? Continuaremos alienados em relação ao nosso sistema e suas bases na manutenção do individualismo, da corrupção e da ganância, que é essencial para o crescimento e perpetuação da miséria?

O colapso que estamos atravessando não é nenhuma surpresa, por décadas vem ocorrendo eventos para discutir os rumos do planeta e da humanidade, em 2015 mais de 150 líderes mundiais foram chamados pela Organização das Nações Unidas – ONU, para adotar formalmente uma nova agenda de desenvolvimento sustentável. Obviamente que que essa agenda, como as anteriores, não encontrou espaço nos governos e a situação social, econômica, ambiental continuou se agravando até chegarmos ao momento atual.

Será que após um colapso planetário, assumiremos a responsabilidade de cada um fazer sua parte para que a mudança possa acontecer? Será que continuaremos esperando líderes políticos que promovam o milagre de despertar a ética na humanidade? Continuaremos aceitando passivamente que se invista mais em presídios e nos danos causados pelos altos indicies de violência, do que na educação e geração de renda? Será que continuaremos descartando o lixo de forma inadequada por que o vizinho também faz?

Será que continuaremos adotando lados A ou B, pelas nossas reações emocionais, continuaremos nos fragmentando entre nós? Continuaremos empoderando indivíduos ou grupos que possuem belos discursos e zero ações, na manutenção do poder pelo poder? E sim estou falando de todos os segmentos desde políticos, partidos, sindicatos, movimentos sociais, organizações não governamentais, religiões, etc, enfim todos que barganham suas bases, sua força de mobilização em vantagens políticas e econômicas, com a promessa de melhorias em um futuro que nunca chega, pois poder e recursos nunca será o suficiente para os que buscam ganhar no jogo da dominação.

Enfim, sei que são muitas perguntas, quiçá após essa jornada, possamos mudar algumas atitudes, nos empoderarmos e nos responsabilizarmos por mudanças, trocarmos a reclamação pela ação e exigir mudanças governamentais e sociais.

Seguem os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) de 2015, que merecem uma reflexão profunda de cada item para que possamos começar a nos prepararmos para fazer parte da mudança, que repito, deve começar por nossas ações na micro esfera, em nossas casas, nos grupos sociais que participamos, no nosso trabalho.

Objetivo 1: Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares;

Objetivo 2: Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável;

Objetivo 3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades;

Objetivo 4: Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos;

Objetivo 5: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas;

Objetivo 6: Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos;

Objetivo 7: Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos;

Objetivo 8: Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos;

Objetivo 9: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação;

Objetivo 10: Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles;

Objetivo 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis;

Objetivo 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis;

Objetivo 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos;

Objetivo 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável;

Objetivo 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade;

Objetivo 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis; e

Objetivo 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável.

Há muito a ser feito, sejamos multiplicadores sociais! Vamos definir nossos objetivos, nossas metas, incluir nos nossos projetos e planos, comecemos com pequenas ações na nossa rotina diária, como dizia Gandhi: sejamos nós a mudança que queremos no mundo!