Habilidades em projetos e tecnologias sociais para um futuro melhor.

“A maior condenação a que estamos todos sujeitos no futuro será por omissão, porque meios para se fazer muitas coisas lindas e impossíveis existem” Amyr Klink

A ação social vem se ampliando há mais de quatro décadas, seja por meio da transferência de responsabilidades do governo federal nas políticas sociais para as organizações sociais protagonizadas pela sociedade civil, seja pelas ações diretas do governo federal em diversas políticas públicas e politicas sociais que demandam obrigatoriamente planejamento e projetos sociais.

As ações de combate à exclusão social, são financiadas por instituições nacionais e internacionais, governamentais ou não governamentais, para uma diversidade de segmentos que se encontram em situação de vulnerabilidade social. O desenvolvimento social também está presente na responsabilidade social, atualmente cobrada de todas as empresas que querem ter certificações nacionais e internacionais. Um campo de atuação que tende a continuar se expandindo, em diversas frentes, políticas sociais, políticas urbanas e ambientais, enfim, a sustentabilidade da própria vida humana, depende de mudanças urgentes na nossa organização social objetivando fazer cumprir os direitos sociais já pactuados na nossa constituição.

Muitas vezes, nos passam a ideia de que os projetos sociais são uma formalidade para captação de financiamento junto aos órgãos governamentais e instituições, um conjunto de ações planejadas em atendimento as diretrizes de financiamento. São incontáveis os projetos que não se sustentam do inicio ao fim, por não conhecer a fundo a problemática trabalhada e não desenvolver formas de avaliar e revisar eficientes, conheço estruturas financiadas para geração de renda que se encontram fechadas, pois a gestão se mostrou insustentável, sem as ferramentas de avaliação e ajustes necessários. Conheço consultores que abandonaram o trabalho de pós ocupação em conjuntos do Programa Minha Casa, Minha Vida, após se dar conta que o Plano de Trabalho para o qual foi contratado não era possível ser aplicado ao contexto da comunidade trabalhada.

De fato, caímos em algumas armadilhas, como tentar cumprir um roteiro pronto sem considerar as peculiaridades de uma comunidade, buscando atender aos mínimos exigidos de atividades comunitárias, reuniões, relatórios, ofícios, encaminhamentos, situações que nos exaurem e ao final nos frustra pois os resultados são superficiais, saímos lamentando não ter conseguido contribuir para o florescimento ou fortalecimento das potencialidades encontradas.

Outra armadilha é a mensuração de número de profissionais em relação às demandas, nós elaboramos os projetos, em geral a partir de dados preliminares e com muita pressão para uso mínimo de recursos e em geral acabamos atuando com pouco profissionais e muitas demandas… tudo isso sem contar nossos conflitos interpessoais, nossos enfrentamentos éticos junto as organizações e outras dificuldades que refletem diretamente na efetividade do nosso trabalho.  Precisamos desenvolver um olhar estratégico para essas questões, tornar nossa prática cada vez mais “afiada” e direta no enfrentamento dessas questões.

Nesse sentido o uso das tecnologias sociais ou tecnologias voltadas para o desenvolvimento de ações de inclusão social, vem mostrando que os processos, métodos e técnicas de interação com a comunidade, organizados de forma a serem reaplicáveis representam efetivas soluções no caminho para transformação social.

Soma-se o uso de redes sociais e de equipamentos como o smartfone, como ferramentas para atividades interativas, com resultados transparentes e participativos com grande eficácia para pactuação de mobilizações e geração de ambientes colaborativos. Exemplos como cartografias interativas montada a partir de fotografias tiradas pelos moradores por temas, vídeos feitos de forma coletiva contando a história de um território, sob o ponto de vista dos moradores, e uma serie de outras práticas que incluem e dá voz a muitas pessoas. Sabemos que a inclusão digital precisa ser fortemente trabalhada pois as tecnologias vieram para ficar e em poucos anos muitos serviços e redes de informações serão acessíveis somente pelas redes.

Então além do uso das tecnologias para atividades interativas, precisamos em todos os projetos, buscar desenvolver atividades ou interfaces com outros programas e projetos de inclusão digital.

Mas, voltemos nossa atenção ao nosso momento atual, com a pandemia da COVID 19, fica ressaltada a importância do desenvolvimento social e organização comunitária em nossa sociedade. Sei que os profissionais que estão atuando no campo social, estão nesse momento mobilizados em atender questões emergenciais e trabalhando firme para arrefecer o impacto, e esse momento vai passar.

Aí teremos que lidar com uma economia fragilizada e certamente a sociedade cobrará do Estado mudanças, políticas públicas adequadas, garantia dos direitos sociais e da dignidade humana, e nós teremos essa tarefa de planejar, elaborar projetos, fazer a gestão, teremos a oportunidade de potencializar a transformação social, usar as tecnologias a nosso favor para criar espaços dialógicos que transcendam os conflitos das fragmentações sociais, de direcionar as ações para que em primeiro lugar haja equidade, justiça social, dignidade humana a todos independente de cor, credo, gênero, etnia, ou qualquer outra fragmentação.

 Nosso contexto é triste, chegamos a esse momento, com muita omissão especialmente por parte do governo e do mercado que transformou a vida e as políticas públicas em ramos de negócios, e a nossa atuação no trabalho social é indispensável para usarmos essa calamidade como catalisadora para fortalecer a ação cidadã, a autonomia e autogestão nos territórios e grupos que atuamos.

Nós do Projeto MultiplicAção Social acreditamos em somar esforços, acreditamos que navegar é preciso, e que navegar com bússola é bem menos penoso.

Temos partilhando nosso conhecimento em artigos, publicações, e-book Trabalho Social: Campos de MultiplicAção e o curso Trabalho Social no Cenário Urbano de forma gratuita.

Agora lançamos nossa formação: Caminhos para elaboração de Planos e Projetos de Trabalho Social, um passo a passo para os profissionais da área social que estão comprometidos com a transformação social e sabem da importância da formação e querem elaborar .Os participantes vão aprender a desenvolver vários tipos de Planos e Projetos de Trabalho Social em 2 meses, sem precisar fazer uma especialização de um ano ou mais.