O afeto transforma!

Esses dias eu participei de uma Live sobre cartografias sociais e como essas cartografias são afetivas, como o aprender e o ensinar, como olhar pela perspectiva do outro é um caminho para a construção da palavra NÓS, NOSSA IDÉIA, NOSSO PROJETO.

O afeto, é o caminho para a construção de uma sociedade colaborativa, esse olhar com os olhos do outro, essa capacidade de se colocar no lugar do outro, ou seja, a partir do processo empático perder  a lógica da crítica e julgamentos pessoais, compreendendo que cada um de nós é um mundo de ideias, experiencias e saberes, cada olhar expressa esse mundo interior. E compreendendo isso podemos ficar tranquilos em discordar do olhar do outro, e ao mesmo tempo nutrir um profundo respeito por aquele ponto de vista, que nos mostra outros saberes e viveres.

A empatia tem um valor inestimável na defesa coletiva de projetos e de ideias, compreendendo que do ponto de vista individual pessoas podem mudar de ideia, podem até nos decepcionar, mas se temos empatia com as pessoas, nosso foco será no desenvolvimento do projeto, e não na discussão das falhas humanas.

A sociedade está nos mostrando o poder da solidariedade, generosidade e colaboração no enfrentamento a essa pandemia, dando respostas que o Estado não consegue dar, envolvidos que estão os políticos na disputa do poder, tentando nos convencer a ficarmos focados no lado egoísta e perverso da humanidade.

Até então esse jogo funcionou, mas agora já não convence mais, está doendo em todos nós o olhar no espelho e ver que permitimos como uma sociedade direta ou indiretamente, pelas nossas relações frágeis e individualistas que esse normal de injustiças sociais chegasse a esse ponto.

Está nascendo uma nova sociedade colaborativa, uma sociedade que busca por justiça, fraternidade, equidade social, não se trata de uma nova metodologia de tecnologias sociais, ou cartografias afetivas, ainda que elas sejam ferramentas de transformação que nos auxiliará em nossa prática diária,  se trata de nós nos reconhecermos como um seres sociais, e  que precisamos uns dos outros para a vida em sociedade, precisamos uns dos outros para que essa experiencia chamada vida tenha sentido, e não faz nenhum sentido viver em um planeta rico em recursos naturais e alguém passar fome, como não faz sentido vivemos em um país que é a 9º economia do mundo e ter mais de 100 milhões de pessoas sem acesso adequado à agua.

Estamos sentindo dor porque nos solidarizamos com essas pessoas, temos empatia, que para além de uma emoção, é considerada uma competência dos profissionais criativos e inovadores, e como qualquer outra habilidade podemos aprender, treinar, desenvolver esse talento.

E se a empatia tem esse poder de unir pessoas e organizações e ajudar milhões de pessoas em um momento como esse, ela também é a base para a nossa transformação pessoal e social, pensemos que cada um de nós podemos dentro dos nossos projetos, trabalhos, ações intensificar a empatia, e assim como no conceito de acupuntura, no qual cada pequeno ponto interage no sistema inteiro, aplicarmos a acupuntura social, e sistematicamente e paulatinamente desenvolver uma outra forma de interAção e MultiplicAção social, em rede.

Sei que encontramos muitas situações desafiantes no nosso dia a dia, e parece ser muito utópico construir esse NÓS por meio da empatia, então deixo algumas dicas práticas:

– Quando ver ou ouvir algo que te incomode ou deixe irritado, não reaja institivamente, sempre que reagimos fechamos a porta para o diálogo e abrimos a do conflito, procure pensar pelo menos 2 minutos antes de responder, procure realmente e com toda sua boa vontade tentar ver pela perspectiva do outro, isso não é concordar, é só reconhecer que aquele posicionamento tem um motivo de existir, assim como o seu, observe se há diálogos e caminhos para um NÓS, se não houver, não há problemas, continue exercitando a empatia, ela vai trazer muito mais resultados que os conflitos;

– Lembre se do momento em que estamos, são 500 anos discutindo quem tem ou não razão, enquanto a opressão tomou conta de todas as esferas da sociedade, sob a ideia de que para a sobrevivência de uns há que se massacrar outros. As pessoas que se adequam ao sistema e o repetem sem pensamento crítico, não despertaram para o poder da empatia, estão defendendo a continuidade do que é conhecido para elas, então você que esta lendo esse artigo e provavelmente já compreendeu que não há outro caminho senão o da colaboração para alcançarmos a justiça social, está no grupo dos que estão se transformando para transformar, e a tolerância é um atributo que precisamos aprender (só para esclarecer, essa tolerância que defendo não se aplica a crimes de nenhuma espécie);

– A jornada será longa, o sistema é reproduzido em todos os lugares e escalas, a mesma lógica do balcão de negócios, que você encontra na câmara dos deputados, encontrará em uma organização comunitária, então com nossa empatia e tecnologias sociais na atuação em comunidades, e com uso de toda tecnologia que temos a nossa disposição vamos atuar para potencializar que cada pessoa se emancipe,  e assim, possamos ir quebrando as perversas redes de dependência;

– Não se envolva em conversas (comunicações) improdutivas e que gerem informações e julgamentos sobre outras pessoas, se lembre de defender ideias, sabendo que as pessoas têm suas jornadas individuais e não vão corresponder às expectativas dos outros;

– Busque em cada uma das atividades que fizer incluir a solidariedade ao outro, ouvir alguém com cuidado e se imaginar em seu lugar, isso é treino e aos poucos, a gente vai aprendendo a habilidade de ouvir realmente ao máximo, olhar as várias perspectivas para o diálogo do NÓS, e vai vendo aflorar cada dia mais nossa criatividade, experimenta!

Para terminar, quero te dizer que você não está sozinho, essa reflexão sobre como nós vamos potencializar nossas forças de agentes de transformação para uma outra sociedade na qual todas as vidas sejam igualmente dignas, é cotidiana, e vou continuar dialogando com você!